Década soma conquistas na abordagem ao diabetes
Entrevista com a endocrinologista Sônia Fusaro, da Unifesp
Como tem acontecido em praticamente todas as áreas do conhecimento, também em relação ao diabetes as mudanças observadas nos últimos 10 anos foram muito expressivas e, talvez, tenham ocorrido em maior volume e, certamente, desencadearam-se em menor espaço de tempo se comparadas com a evolução registrada desde a descoberta da insulina, em 1921.
Evoluíram os medicamentos, a abordagem e envolvimento dos profissionais e o próprio paciente, bastante auxiliado pelo fluxo de informações disponíveis na internet, pondera a endocrinologista Sônia Fusaro, médica assistente do Centro de Diabetes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Em relação a medicamentos, surgiram novas insulinas e novas formas de aplicação. Especificamente para o diabético tipo 2, começaram a ser utilizadas novas drogas orais. "Isso não significa que aquelas que vinham sendo empregadas antes não sejam mais adequadas, mas agora há uma gama maior de opções para o tratamento", avalia a endocrinologista.
Sônia observa que a abordagem profissional também passou por evolução. "Em grande parte dos centros de diabetes do País o diabético não é mais tratado exclusivamente pelo médico e, sim, por uma equipe geralmente composta por nutricionista, psicólogo, enfermeiro e outras especialidades", afirma a médica
Ela acrescenta ainda que os médicos de outras especialidades - como ginecologistas, clínicos gerais e cardiologistas - que costumam ter o diabetes entre os problemas apresentados por seus pacientes - estão mais seguros para receitar medicamentos para o diabetes, mesmo os de última geração. Essa segurança, avalia Sônia, pode ser creditada à proliferação de cursos de educação continuada e de seminários e palestras que reúnem mais de uma especialidade para tratar dessa doença que atinge quase 8% da população brasileira.
Uma das modificações mais importantes, porém, está relacionada ao comportamento do paciente. "Hoje o paciente chega ao consultório bastante informado; ele tem mais acesso à informação, principalmente via internet, e se torna mais apto para discutir sua condição de saúde com o médico", relata a especialista. Para ela, estar bem informado tem a grande vantagem de tornar o paciente mais propenso a aceitar as recomendações de tratamento dadas pelo especialista e de manter sua adesão a esse tratamento.
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