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João Carlos Lopes Simão

Glicemia também afeta cabelos

Entrevista com o dermatologista João Carlos Lopes Simão, da FMRP-USP

Cabelo não é só moldura para o rosto. Conforme seu estado, ele serve, também, para indicar a quantas anda a saúde de uma pessoa. Um exemplo é o que pode acontecer com quem está com seu diabetes mal controlado. Segundo o dermatologista João Carlos Lopes Simão, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), a glicemia alterada pode provocar queda de fios e alterações no couro cabeludo.

"O conjunto de alterações metabólicas que o diabético pode vivenciar quando está mal controlado influencia na concentração de fios sujeitos a queda", afirma o especialista.

Simão explica que o cabelo cresce durante dois anos, depois fica de quatro a seis meses em repouso para, em seguida, cair. A maioria dos fios está na fase de crescimento e apenas cerca de 10% na fase de queda. A alteração no metabolismo interfere nessa percentagem, aumentando a quantidade em queda.

"A situação pode ser revertida simplesmente atingindo bom controle", ensina Simão, acrescentando que o importante é que o paciente diabético adote alimentação equilibrada que garanta o aporte necessário de proteínas e vitaminas ao organismo, para permitir saúde também a seus cabelos.

"Para o organismo, cabelos e unhas são anexos e, por isso, quando falta algum nutriente, o corpo prioriza estruturas mais nobres, como o cérebro, e deixa de fornecer nutrientes para os cabelos e as unhas", explica o dermatologista.

Outro conselho do especialista é utilizar shampoo apropriado a cada tipo de cabelo e, de quebra, um bom condicionador com hidrolisado de proteínas, aminoácidos ou queratina, que auxiliam no controle da quebra de fios, condição que aparece em função de enfraquecimento ou da falta de cuidados apropriados após tratamentos químicos, como o da tintura e do alisamento, por exemplo.

Outros problemas comuns que atingem mais frequentemente o couro cabeludo dos diabéticos são a dermatite seborréica e a foliculite, pois o diabético está mais sujeito à proliferação de bactérias e fungos no couro cabeludo. Nesses casos, o indicado é usar shampoos antisseborréicos e antibacterianos. Em casos mais graves, é necessário o uso de medicamentos tópicos ou por via oral.




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Data de Atualização: 09/04/2010


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