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Problemas de pele merecem toda atenção

Entrevista com a dermatologista Norma Tiraboschi Foss, da FMRP-USP

Diabéticos do tipo 2 que apresentam mau controle glicêmico estão mais sujeitos a sofrer de dermatite seborréica, problema que se caracteriza pela descamação da pele em regiões seborréicas (especialmente da face) com produção alterada de gordura, como o nariz e o sulco entre o nariz e os lábios. A conclusão é de levantamento realizado pela dermatologista Norma Tiraboschi Foss, chefe de Dermatologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da Universidade de São Paulo (USP).

O levantamento foi feito de 2005 a 2008 com 500 pacientes diabéticos atendidos no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. No estudo, foi verificado que 176 pacientes apresentavam tinha do pé e outros 110 sofriam de tinha nas unhas (onicomicose). Tinhas são infecções cutâneas superficiais provocadas por fungos. Havia também 131 pacientes com candidíase, infecção conhecida popularmente por "sapinho", causada por outro tipo de fungo e que surge em regiões de dobra de pele, como abaixo da mama, no abdômen ou, menos comumente, em virilhas e axilas.

Segundo Norma, as tinhas e candidíases apareceram em pacientes com diabetes tipo 1 e 2, não importando o grau de controle glicêmico que esses pacientes mostraram. Ela observa, ainda, que em pessoas não diabéticas essas doenças de pele costumam ficar delimitadas à região entre os dedos e, no caso de diabéticos, espalha-se para a planta e o peito dos pés.

A dermatologista explica que o tratamento da tinha do pé demora cerca de um mês. No caso das onicomicoses, esse tratamento dura entre três e seis meses, período que a unha leva para crescer. "Se a onicomicose aparece na base da unha, por exemplo, o tratamento é mais longo, porque a região afetada não se recompõe e é preciso aguardar que ela tenha crescido totalmente de novo", explica a especialista, acrescentando que contra a candidíase o tratamento é mais curto, demorando de 10 a 20 dias.

Norma diz ainda que o tratamento é feito à base de medicamentos orais e de uso tópico. Já no caso das descamações provocadas pela dermatite seborréica, usa-se apenas medicamento de uso tópico. São necessárias quatro semanas para que a pele seja renovada. Ela também recomenda o uso de hidratante facial para aliviar o incômodo e a coceira causados pela descamação e de bloqueador solar, também com indicação médica para evitar que algum componente desses produtos interaja negativamente com o medicamento.

A dermatologista alerta que é necessário tratar todos os problemas de pele observados no diabético, porque a ausência de tratamento torna a região uma porta aberta para outras infecções mais graves.




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Data de Atualização: 01/12/2009


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