Sacarina é cancerígena?
Entrevista com a nutricionista Adriana Pelloggia de Castro
Colocada na berlinda como suspeita de provocar câncer, a sacarina é uma substância utilizada como adoçante por muitos diabéticos e por quem não quer ganhar peso. Apesar das constantes acusações contra ela, não existem estudos que comprovem alegados efeitos maléficos e, quando usada com parcimônia, é uma substância segura, explica a nutricionista Adriana Pelloggia de Castro.
A sacarina é o mais antigo dos adoçantes artificiais. Descoberto pelo químico Constantine Fahlberg da Johns Hopkins University em 1879, foi utilizado na alimentação a partir do início do século, especialmente durante a guerra, quando o suprimento de açúcar era pequeno. Seu uso aumentou nos anos 50, quando alimentos dietéticos tornaram-se populares.
Adriana Pelloggia de Castro – “A ligação entre a sacarina e o câncer começou em 1977 quando estudos mostraram que ratos alimentados com doses gigantescas do adoçante desenvolveram tumores na bexiga. A dosagem administrada aos ratos equivaleria à ingestão, pelo homem, de 800 latas de refrigerante diariamente durante toda sua vida. As mega-doses dadas aos ratos de laboratório somam uma quantidade que os seres humanos não conseguiriam absorver.
Atualmente, os principais adoçantes químicos não calóricos disponíveis no mercado são, além da sacarina, o ciclamato, a sucralose e o aspartame. Esse último também costuma estar na berlinda, acusado de causar câncer, mas o consumo de aspartame é considerado seguro por inúmeros comitês internacionais de nutrição. Estudos realizados com a substância que comprovaram efeitos nocivos também utilizaram dosagens muito além da que o ser humano teria condições de consumir.
Os riscos e a segurança oferecidos pelos adoçantes artificiais são os mesmos, ou seja, há segurança se consumidos abaixo da quantidade diária ideal e riscos se essa quantidade for ultrapassada. Isso pode ocorrer com qualquer substância que seja acrescentada ao alimento, até com o açúcar, e por isso a FDA (Food and Drug Administration) estabelece quantidades diárias ideais para todos os aditivos, como é o caso de corantes, por exemplo. Os parâmetros estabelecidos pela FDA prevêem que a pessoa possa consumir adoçantes na quantidade de até 40 mg por quilo de peso, por toda a vida, sem que isso lhe acarrete problemas de saúde”.
Data de revisão 15/10/2008
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